Eu acordei hoje em meio uma confusão aqui em casa, que está rolando até agora, isso me fez analisar algumas coisas. Como por exemplo minha falta total de vontade de me levantar. Quando eu digo que não estou mais aguentando viver todo mundo me manda ter juízo e reza uma cartilha enorme. Mas quem consegue se estruturar sem uma base? Eu tenho uma família dividida em mil pedaços, não tem um dia da semana que não estoure uma guerra aqui dentro, ódio latente nos olhos das pessoas, falta de amor, de respeito entre todo mundo. Por outro lado eu poderia apelar aos amigos, um conforto, uma ajuda, um ombro, uma palavra, ou até mesmo a presença, mesmo que em silêncio, mas não tenho isso também, essa semana mesmo tive mais uma decepção com uma amiga. Agora pronto, já tenho tenho mais nada do que me lamentar ao sair daqui, não deixo nada de bom. Era a unica coisa que faltava mesmo, e claro que a vida não ia me deixar sem mais essa.
Eu penso que eu poderia ser cercada de amigos se de repente tivesse me empenhado mais nisso, acredito que seja alguém interessante de se ter como amiga quando estou de bem com a vida, ou de bom humor pelo menos. Mas minha falta de vontade com a humanidade no geral me fez agrupar ao meu redor pessoas que não podem nem encostar em mim, pessoas que estão á km de distância, pessoas que facilmente me esquecem quando apertam o botão OFF, e logo sou substituída por algo concreto, que se sinta o cheiro. Se eu amasse as pessoas reais da minha vida como amo as virtuais minha vida seria bem melhor, ou pelo menos teria um conforto quando precisasse. Já me falaram várias vezes que eu me afundei no mundo fantasioso da internet, e só agora eu estou me dando conta do tempo que perdi aqui, de quantas coisas deixei de fazer, 6 anos jogados na lata do lixo, onde 99% das pessoas que eu ainda tenho um afeto já me esqueceram, já não se importam. Em algum momento fui útil, fiz rir, fiz bem, e como algo descartável fui jogada fora.
Eu queria saber agir assim também, saber separar o que é real e o que não é, queria desligar sentimentos junto com o computador. E eu achando que dentro do meu quarto eu estava segura, foi justamente aqui que eu acabei com a minha vida. Eu desisti das pessoas, e digo isso de uma forma geral, ninguém nunca vai se adaptar ao meu jeito de ser, nunca vão gostar de mim da forma que eu sou. Como eu já ouvi algumas vezes, que é preciso me amar muito pra me aturar, pois bem, não sou uma pessoa de fácil acesso, e nem uma pessoa que desperta amores por aí. Fechada por natureza, meus medos eu não conto, meus desejos eu escondo, minha vida eu apago.
Eu me dou melhor comigo mesma, sozinha, eu tenho pavor de gente. Quando eu me entrego é pra valer, quando eu me dou pra alguém é de alma, me coloco a disposição, disposta e disponível, talvez seja por isso que me demoro a recuperar quando me deparo sozinha depois de não me pertencer mais para pertencer á outra pessoa.
Ando sozinha, vivo sozinha, faço da minha vida um palco solitário, e escolho uma pessoa pra ser minha salvação de vida, eu sei que não posso fazer isso com ninguém, mas eu não sei viver de outra forma, talvez por isso eu não queira mais viver, por saber que vou ser eternamente assim, e isso já não me agrada, morta eu já estou, deixei de viver á muito tempo, meu corpo ainda está aqui. Meia duzia de pessoas resolvem de manifestar quando levanto á questão de partir, tudo média, nenhuma delas chorariam minha morte, não sentiriam a minha falta. Peça qualquer na vida de todo mundo, essa sou eu!