Aqui sentada olhando pra tela do pc e com os sentimentos todos bagunçados, quantos anos essa cena já vem se repetindo!? Eu JURO que eu queria sentar aqui e escrever coisas boas, e me mostrar feliz e recuperada de tudo que me aflige, mas infelizmente eu vejo isso tão distante de mim, tão longe das minhas mãos. Ser impotente diante da própria vida deve ser uma das piores coisas que o ser humano pode sentir, olhar em volta e ver que não depende de seus feitos, seus esforços alcançar o que se quer. Eu confesso que eu não quero muita coisa nessa vida não, acredito ainda que um único pedido meu sendo atendido ia desenrolar todos os outros, meus problemas estão ligados embaraçadamente um no outro, e achando uma pontinha seria o suficiente. Mas justamente é essa pontinha que eu jamais vou achar. Minha mania chata de acreditar no impossível passou, hoje eu tenho plena consciência do que meus pés não podem alcançar, talvez por isso meu sofrimento esteja se prolongando além do que eu previa, eu deixei a ilusão de lado, deixei de sonhar acordada, não acredito mas nas fantasias que eu criei, meus dois pés estão na realidade, e ela não é nada bonita, muito pelo contrário, é uma treva insuportável. Dentro de mim faz frio e é escuro, e por mais que eu procure um foco de luz, não acho. As pessoas me olham com um certo tipo de lamentação, procurando meu sorriso largo, minha gargalhada alta, minhas milhares expressões faciais ao relatar algo, meus incontáveis gestos, e a única coisa que elas acham é um semblante igual para todas as situações, um olhar perdido em algum outro lugar bem longe daqui, e abreviatura ao máximo possível das palavras que saem da minha boca por obrigação. Infelicidade gritada com direito á eco. É só isso que as pessoas conseguem enxergar em mim, algumas delas deixam transparecer que estão vendo tudo isso, outras se quer notam tamanha diferença de comportamento.
Durante o tempo que tenho que estar na presença das pessoas eu até me comporto de uma forma normal, tento fazer as coisas que preciso fazer, mas de noite sozinha no meu quarto eu choro todos os meus tormentos, e isso vai até dormir sem perceber. Mas eu não cobro nada da vida, nem mesmo felicidade e amor, que são as duas coisas que eu mais queria na vida, justamente por ter procurado essas duas coisas de forma errada eu estou aqui, levando essa surra da vida. Eu não sei por quanto tempo isso ainda vai durar, mas de uma coisa eu tenho certeza, minhas forças estão no último suspiro. E como um raio que cai do céu, eu posso de fato colocar um ponto final em algo que a vida insiste em colocar reticências!