Como alguém que mergulha por mais de 3 minutos em uma piscina e quando sobe puxa o ar desesperadamente, foi assim que me senti levantando da cama hoje, e me perguntando quanto tempo tinha passado, e me dando conta que ainda estou viva. Me dei conta que comer e tomar banho é necessário, me arrastando tive que fazer isso hoje, já posso passar mais uma semana em coma. Acho que tantos remédios me deixaram fora do eixo, pernas sem força alguma para andar. A primeira coisa foi cancelar um compromisso profissional para amanhã, e mais uma vez eu mando trabalho as favas, o bom é que todo mundo sabe que não sei viver duas coisas ao mesmo tempo, e as cobranças são bem menores.
Ontem eu esbocei uma melhora, pode-se assim dizer, acordei com um telefonema surpreendente, tal qual se minha mãe não tivesse atendido e me servindo de testemunha que realmente recebi essa ligação, eu ia achar que era algum tipo de delírio por conta dos remédios. Essa voz que durante um tempo foi música para os meus ouvidos, serviu como despertar na quarta de cinzas mais cinza da minha vida, a voz continua linda como sempre, o efeito dela é que mudou, mas ainda sim senti algo bom. O que de imediato me fez bem, depois me fez pensar no andamento natural das coisas, pessoas que fazem seu coração bater mais forte, borboletas nos estômago, uma paixão que ecoa em tudo que se faz, e no final da linha nada disso existe mais. É aquela velha história de que assim como as plantas, se não cuidadas, cultivadas, regadas, o amor também morre, e isso me faz lamentar profundamente, cada pessoa que passa por minha vida e consegue o feito de ter meu amor, e simplesmente acabar depois me deixa triste, por 3 vezes na minha vida eu entreguei meu amor e não quero entregar uma quarta. Pois o amor sempre acaba, e acaba com um lado sofrendo mais que o outro, eu não sei o quanto essas pessoas sofreram, se menos ou mais do que eu, mas posso garantir que o meu sofrimento é imaginável.
Eu não sei exatamente o que me derrubou na cama, talvez um bomba relógio anunciada a explodir, anos me escondendo, reprimindo tudo, uma hora tinha que estourar, eu adiei isso por muito tempo, e acho que eu só precisava de uma ''desculpa'' pra me atirar nessa depressão. (ok, eu admito que é depressão, agora eu admito, com toda certeza)
Aqui em casa estão arrumando as malas, empacotando coisas, ligações para tratar de casa e etc, e eu vou como um barco á deriva nisso tudo, eu deveria estar feliz até com a mudança, poderia estar feliz em ficar aqui, poderia ficar feliz em voltar para São Paulo, seja onde for, não me perguntem opinião alguma, pois eu simplesmente não quero mais estar em lugar nenhum, eu ainda não descobri o motivo de existir, e até mesmo escapado da morte uma vez, afinal, quando eu faço á coisa errado, dá errado, e quando eu faço certo, dá errado também.
Fico aqui pensando comigo, alguma coisa tem pra mim lá na frente, a gente podia adiantar essa fita logo então, caso contrário esse ''lá na frente'' vai ser abortado. Conheço uma moça que tomou um remédinho bobo de gripe, ou algo assim para tentar se matar e foi parar no hospital quase morta, e eu aqui tomando remédio de cavalo todos os dias e nada me acontece, ou planos existem, ou deve ser divertido me ver viva sem querer estar.
Como é horrivel ver á noite caindo, é quando eu fico ainda mais desesperada, e inevitavelmente só enxergo cartelas de remédio na minha frente, definitivamente não dá para viver sem, sentir tudo isso á seco. Daqui duas horas me enterro de novo, tempo que leva para me derrubar, e vamos ver quem ou o que vai me tirar da cama dá próxima vez!