segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Eu tive que obrigatoriamente sair da cama hoje, e pelo menos tentar fazer coisas normais. Depois de me afogar sábado no álcool, eu consegui enxergar alguma outra coisa além da cama na minha frente: o vaso sanitário.
Depois de sobreviver o dia todo, angustiada, e tentando fazer de conta, com uma vontade louca de por fim nisso tudo, acabei mesmo por tomar um porre, foi a saída que achei mais fácil.
O mundo não para quando a gente quer descer, e todo mundo segue sua vida, eu tive que me agarrar em alguma força que nem sei de onde veio e enfrentar algumas coisas hoje. Acordei logo de cara com uma novidade que deveria ter feitos meus olhos brilharem como ouro, no entanto só consegui pensar: tenho mesmo que sair da cama? Me dei conta que hoje já é domingo de novo, não vi a semana passar, e nem queria mesmo ver, se eu for fazer um resumo exato dos meus dias, começa com : eu fui deitar ...e hoje levantei! FIM.
Eu resolvi admitir para mim que não estou bem, e que certamente preciso de ajuda, e minha mãe resolveu ver claramente que eu não estou bem e que fatalmente preciso de ajuda, e do outro lado tem o meu pai, que está á duas semanas de ir embora, achando que todos os meus problemas vão acabar quando eu pisar em Território Nordestino, ainda fazendo questão de pontuar uma questão que eu sinceramente não quero pensar.
Por esses dias eu "não existi", então não posso contar com clareza os sentimentos que me tomaram, embora esteja tudo muito bagunçado agora, mas hoje me permiti ficar sóbria e ver no que dava, olha o resultado...cá estou eu, na madrugada de novo na frente desse pc. Tive vontade de chorar em alguns momentos do dia, talvez meus olhos tenham enchido d'água, mas não deixei cair lágrimas, e como algo sólido mandei esse nó pra garganta, que desceu me rasgando o peito.
Esse papo todo de mudança que me fez sair da cama hoje, a impressão que tenho é de que amanhã ou depois eu vou acordar e já não vou mais estar aqui, começa bater o tal senso de realidade. Eu realmente aprendi amar Minas Gerais, assim como amo São Paulo e nuca pensei que ia sair de lá um dia. Quando eu me pergunto se estou indo muito longe, logo em seguida penso: longe de que? de quem? Eu sinto com profundo pesar por uma amiga que deixo aqui, e embora também esteja indo ainda mais longe de São Paulo, eu chego a conclusão de que não estou deixando nada muito importante, talvez tenha que me preocupar com o que vai estar perto quando essa mudança se concluir. Afinal, lugar completamente desconhecido pra mim, embora tenha o sangue, as origens e uma família enorme ali, vou estar completamente ás escuras, e como eu bem sei, sou péssima em fazer amizades desde sempre. Minha mãe sempre diz que eu tenho medo de ser rejeitada, e não sabe o motivo disso, eu não sei se tenho exatamente esse medo, mas a vida me mostra que esse medo seria totalmente válido, eu com certeza não sou a pessoa mais procurada e aceita do mundo, até mesmo de quem eu espero algum afeto, algum sinal de bem querer, ou até mesmo alguma empolgação com minha presença ou minha anunciada presença eu fico no zero á zero.
Isso me faz lembrar da última vez que senti muita falta de alguém e fui até seu encontro, quando disse que ia em São Paulo, depois de um tempo morando em Minas, chegando lá não me contive e sai avenida á cima sentido meu antigo colégio, e ali mesmo no meio da avenida avistei quem eu procurara, e sem precisar fazer muito alarde soltei um : hey...e a recepção não podia ser melhor, uma pessoa completamente enlouquecida, com um sorriso largo e gritando meu nome passou de um lado da avenida para o outro e simplesmente pulou em cima de mim e ali ficamos alguns instantes abraçadas. Me senti realmente querida ali, e senti que de fato alguém sentia minha falta e se alegrou com minha chegada. Última vez que quis "brincar" de testar o quanto minha presença era importante eu tomei um tiro de bazuca no centro do peito que me levou na lona e ainda nem sai de lá.
Hoje foi falado sobre pessoas casadas, e logo depois foi perguntado quem era solteiro, e minha mãe riu de mim depois, ela disse que eu fiquei imóvel : não é casada e nem solteira, é o que então?
E nem eu soube responder, acredito que eu tenha ficado apática ao assunto, eu sei que se eu anunciar aos berros que sou solteira vou ter que perder um tempo desnecessário para dispensar eventuais pessoas que irão aparecer, e não estou em condições para falar sobre relacionamento com pessoa alguma, sem contar que eu continuo sendo fiel á cima de tudo aos meus sentimentos, intacta á tudo que só se refere a carne. Queria eu sair passando com o rolo compressor por cima do meu coração e distribuir afeto e carinho pra qualquer um, mas ainda não cheguei nesse nível de liberação.
Bem, mais de 15 minutos se passaram desde a última frase. Me perdi nos meus pensamentos...!